Reunindo educadores/as, sindicalistas e pesquisadores/as, o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco (Sintepe) realizou o seminário “Alcances e limites do sindicalismo brasileiro no contexto de luta pela soberania nacional”, no último dia 22 de outubro. O evento contou com as reflexões da professora Nadine Agra (UFPB) e do professor Manoel Moraes (Unicap), ambos com reconhecida trajetória acadêmica nas áreas de política e direitos humanos.
Ambos apresentaram desafios para o movimento sindical que vão desde a dificuldade financeira, passando pela fragmentação da classe trabalhadora – traduzida na “pejotização” -, o adoecimento e a precarização do trabalho. “A fragilidade orçamentária impede a sustentação de mobilizações de longa duração, de investimentos na formação política da base e na conscientização sobre a agenda estrutural”, alertou Manoel Moraes.
A mesa também contou com a presidenta do Sintepe, Ivete Caetano, e com os diretores de Formação Sindical, Jerônimo Cisneiros e Márcia Silva.
A presidenta Ivete Caetano ressaltou a importância de compreender como as interferências externas impactam diretamente a soberania dos países e suas decisões políticas: “É fácil explicar hoje o que é interferência de um império em uma nação. É só falar de Trump, do tarifaço, da posição de Lula. E a gente consegue entender teorias dessas relações”, avaliou Ivete.
O diretor Jerônimo Cisneiros destacou a amplitude do papel do movimento sindical na defesa de direitos e na construção de uma sociedade mais justa: “A importância do movimento sindical se dá em torno de movimentos como a luta pelo fim da jornada 6×1, pela isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, pela questão da própria soberania nacional”, afirmou Jerônimo.
A diretora Márcia Silva destacou que a defesa da soberania vai além de um conceito jurídico, sendo também uma pauta profundamente política e social: “A soberania trata, sim, da capacidade de decidir sobre a vigência e eficácia das normas dentro de um território. Por isso, reafirmamos que ela deve ser indivisível, inalienável e imprescritível”, explicou.
Já a professora Nadine Agra ressaltou o papel central da educação e da organização sindical na disputa pelo fundo público e na consolidação de um projeto democrático e soberano de país: “De quantos por cento do nosso PIB vai para a educação básica, para a educação superior, que a gente faz parte da luta de classes hoje? Porque a luta de classes hoje se dá na disputa pelo fundo público. E a gente entende a função social do sindicato como um dos pilares da democracia e da soberania. Não existe democracia sem soberania, não existe soberania sem democracia, não existe democracia sem um sindicalismo livre e forte”, disse.
Os debatedores concordaram que o sindicato continua sendo um ator estratégico na defesa da nação e propuseram um sindicalismo que avance numa nova pauta, a partir de uma visão estrutural.
Com o auditório cheio e participação dos presentes, o seminário reafirmou o papel do Sintepe como espaço de debate e resistência, promovendo a formação crítica e o engajamento dos trabalhadores e trabalhadoras em defesa da educação pública e da soberania nacional.




