Sindicato dos Trabalhadores e das trabalhadoras em Educação de Pernambuco

Crise do capitalismo, novas relações de trabalho em debate no XII Congresso do Sintepe

O terceiro dia do 12o. Congresso do Sintepe consolidou-se como um marco de debate político e sindical com uma análise da conjuntura nacional. O plenário foi provocado a refletir sobre os caminhos da classe trabalhadora em duas mesas integradas que conectaram a geopolítica, as transformações do capitalismo contemporâneo e o papel das entidades de classe. 

Unindo gerações em um mesmo momento, o Coral do Sintepe conta com ampla participação de idosos e aposentados e aposentadas filiado/as. A apresentação do Coral abriu a programação do terceiro dia do Congresso do Sintepe em Gravatá nesta quinta (28/05) para centenas de delegados e delegadas que participam do evento desde o início da semana.

O painel matutino reuniu o professor Roberto Veras de Oliveira (UFPB/INCT) e Ariovaldo Camargo (CUT Nacional), sob a coordenação da diretora do Sintepe Márcia Silva e dos diretores Paulo Ubiratan e Alceu Domingues. Juntos, os palestrantes destrincharam os desafios do sindicalismo em um cenário de avanço da extrema-direita, financiamento das corporações e controle algorítmico, convocando a base a ocupar as redes e as ruas na disputa do projeto de nação.

Roberto Veras analisou e debateu a erosão interna das democracias modernas, utilizando-se de conceitos da ciência política e alertou que o enfraquecimento das mediações coletivas, como partidos e sindicatos, abre caminho para o individualismo e o avanço da extrema-direita global. O professor detalhou o conceito de “capitalismo de vigilância”, no qual as grandes big techs transformam a experiência humana em mercadoria, afetando diretamente a esfera laboral através da intensificação do trabalho nas plataformas digitais. 

“O liberalismo progressista separou a luta material pela redistribuição da riqueza da luta simbólica pelo reconhecimento de direitos identitários e de gênero. O grande desafio contemporâneo do sindicalismo é rearticular essas duas dimensões. Redistribuição e reconhecimento são duas faces da mesma moeda democrática”, destacou Roberto Veras.

Veras concluiu apontando três cenários possíveis para o movimento sindical, instando o Sintepe a encabeçar o cenário de revitalização, que exige a incorporação de trabalhadores precários, informais, terceirizados e das juventudes periféricas negras nas estruturas de luta.

Na segunda metade do painel, o professor Ariovaldo Camargo trouxe reflexões teóricas para o campo da ação sindical prática. Secretário da CUT Nacional, Ariovaldo iniciou o painel celebrando o momento histórico vivido pela classe trabalhadora com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

A proposta ainda vai passar pela análise e votação no Senado. Diante disso, o professor alertou que o movimento sindical precisa manter pressão total sobre a Casa Alta para evitar armadilhas e retrocessos neoliberais. O dirigente também alertou para a necessidade de ficarmos atentos aos movimentos políticos nas redes.

“A extrema-direita se apropria das redes sociais para fragmentar nossa classe. Precisamos atualizar nossa linguagem e disputar a narrativa digital. Não daremos cavalo de pau em mar revolto: a defesa da democracia passa pela reeleição do presidente Lula e pela ampliação de bancadas progressistas e comprometidas no parlamento”, ressaltou.

A segunda mesa do dia teve por tema “Educação e Diversidade – O Direito de Existir”. Fizeram parte como palestrantes convidada/os a ativista, pedagoga e militante do Movimento LGBTQIAPN+ Ruth Venceremos e Ikaro Annael, Bacharel em Direito e Pós-Graduado em Direito Civil, que fez parte da Comissão de Diversidade e de Gênero – CDSG da OAB-PE. Coordenaram esta mesa as diretoras do Sintepe Márcia Silva, Julliana Tenório e Li Soares.

Ruth Venceremos que iniciou sua trajetória junto ao MST e chegou ao cargo de assessora da diversidade da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) do Governo Federal, lembrou a todas as pessoas presentes que é o pânico moral que coloca a pessoa LGBT sendo vista como um vilão que vai destruir a sociedade brasileira. “A quem interessa isso? Quem tem medo de discutir diversidade são aquelas pessoas que simplesmente querem manter a sociedade como ela é”, enfatiza. Em sua fala, Ikaro lembrou das dores e dos problemas da comunidade escolar ao não saber lidar com pessoas LGBTQIAPN+ sem cuidar dos casos de intolerância e preconceito.

Participação da Base e Encaminhamentos

 

O painel foi encerrado com uma expressiva foto coletiva dos delegados empunhando as placas da campanha institucional e com a convocação para a terceira e última mesa do dia, que abordou as “Novas Relações Étnico Raciais”, no Painel de Políticas Permanentes – Etnia e Direitos Humanos. O momento reuniu reflexões sobre desigualdade racial, educação e os desafios enfrentados pelas populações negras e indígenas no Brasil.

Givânia Silva, integrante do Conselho Nacional de Educação e da Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas, iniciou o painel abordando o analfabetismo que atinge mais de 11 milhões de brasileiros ainda nos dias atuais. A palestrante alertou para dados recentes que reforçam que a maioria dessas pessoas analfabetas são pessoas negras – o que demonstra como a desigualdade no Brasil, infelizmente, ainda recai fortemente sobre o povo preto.

Integrante do Conselho Nacional de Educação e da Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas, Givânia Silva abriu o debate trazendo dados alarmantes sobre o analfabetismo no país. Segundo a palestrante, mais de 11 milhões de brasileiros ainda não sabem ler e escrever, sendo a maioria composta por pessoas negras – um retrato das desigualdades históricas que ainda marcam a sociedade brasileira.

A professora da UNIFafire, Eliene Amorim de Almeida, destacou a luta e a resistência dos povos indígenas diante da marginalização histórica sofrida no Brasil. Durante sua fala, a palestrante ressaltou a importância da educação para os povos tradicionais, defendendo que as escolas indígenas devem fortalecer os projetos de sociedade e os modos de vida de suas comunidades. A mesa foi conduzida pelos diretores do Sintepe José de Barros e Magna Katariny, encerrando o terceiro dia do Congresso com um debate marcado pela defesa da educação antirracista, da diversidade e dos direitos humanos.

E no final deste terceiro dia de Congresso, foram discutidas as teses das forças políticas que compõe a base do sindicato. As propostas foram amplamente debatidas e votadas, comprovando a democracia interna no Sintepe e a representatividade do Congresso como deliberação dos delegados e delegadas eleitos representando os trabalhadores e trabalhadoras em Educação em Pernambuco.

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