
Começou hoje (26) o 12o. Congresso do Sintepe, uma das instâncias mais importantes de decisões do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco. Durante hoje e nos próximos três dias, delegados e delegadas eleitos na rede estadual de ensino estarão reunidos para decidir sobre as políticas que nortearão o sindicato.
Após o credenciamento no início da tarde, o Congresso foi aberto com apresentação musical que reuniu o grupo Guerreiros do Passo e o Maestro Oséas com sua orquestra de frevo. O grupo de bailarinos e músicos contagiou o plenário apresentando a força da cultura popular, trazendo a identidade pernambucana para o centro do Hotel Canárius, em Gravatá, local que sedia as atividades desta edição.
O momento cultural antecedeu a Mesa Política de Abertura, que reuniu diversas lideranças para dar as boas-vindas oficiais aos participantes e iniciar os trabalhos institucionais. Dentre os convidados, além da atual diretoria do Sintepe estiveram presentes a presidenta da CNTE, Fátima Silva; o presidente da CUT Pernambuco, Paulo Rocha; o vice-presidente da IEAL (Internacional da Educação para a América Latina), Heleno Araújo e uma dezena de instituições acadêmicas, do movimento de educação, do movimento sindical e parlamentares como a vereadora do Recife, Liana Cirne.
A presidenta licenciada do Sintepe, Ivete Caetano, foi uma das convidadas a discursar. Em sua fala, citando Paulo Freire e “Quarto de Despejo“, obra de Carolina Maria de Jesus, Ivete denunciou as desigualdades sociais e reiterou o papel transformador da educação. “A gente se pergunta, qual é o mundo de que Paulo Freire fala? Para ele, o mundo não é, o mundo está sendo. Não podemos nos acomodar. Devemos sempre lutar por democracia, que se completa com direitos, participação social, com soberania alimentar, paz e autodeterminação entre os povos”, enfatizou.
A presidenta da CNTE, Fátima Silva, reafirmou o compromisso da entidade com a democracia, saudando todas as entidades sindicais e órgãos que lutam pela educação. “Este Congresso é também para reafirmar nossa fé na luta do muito que a gente tem que conquistar. Vamos lá fazer o que será: um Brasil com democracia, com soberania e justiça social”, reforçou Fátima, que também não deixou de lado a lembrança das conquistas da categoria.
O presidente da CUT em Pernambuco, Paulo Rocha, ressaltou a campanha pelo fim da escala 6×1 em debate no Congresso Nacional, além de outras questões que envolvem o trabalhador e a trabalhadora em educação. “Hoje nós temos o direito à greve, mas não temos regulamentação, e não temos o direito consagrado da negociação. A negociação no serviço público, muitas vezes, só acontece por conta da pressão e da capacidade de luta dos servidores e das servidoras”, disse Paulinho, que pediu o apoio dos servidores à luta contra a escala 6×1.
Heleno Araújo (IEAL), relembrou o histórico de lutas da entidade e reafirmou o lema da 12ª edição do Congresso do Sintepe ao clamar por “uma educação com democracia, com soberania e com justiça socioambiental”.
A presidenta em exercício do Sintepe, Cíntia Sales, celebrou a presença dos delegados e delegadas no evento e destacou as temáticas que serão debatidas nestes dias. “Vocês estão dando mais um passo na construção da consciência política estando nesse congresso. Nesses quatro dias, nós discutiremos esses temas de relevância imensa para a gente compreender o país em que nos encontramos”.
CONFERÊNCIA DE ABERTURA
A Conferência de Abertura debateu o tema central desta edição: “Educação, Soberania, Democracia e Justiça Socioambiental“, trazendo como convidado especial o sociólogo e escritor Jessé de Souza. O palestrante convidado é professor da UFABC e ex-presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), além de autor de mais de 30 livros, sendo considerado um dos principais pensadores políticos do país.
O convidado foi responsável por conduzir a reflexão analítica sobre a conjuntura social e política nacional resgatando problemas históricos na base social do país. “É extremamente importante que a gente saiba de que modo a escravidão continua o seu caminho 500 anos até hoje. Esse problema vai começar em 1532, quando se instaura a primeira Casa Grande e a primeira Senzala. As relações entre eles, e o conceito de elite e pobreza no país está sendo permeado por isso até hoje”, destaca o sociólogo.
O encerramento das atividades do dia ocorreu com a leitura e aprovação do regimento interno, etapa que consolida as regras democráticas para as votações e deliberações que vão seguir até a próxima sexta-feira.




